Freguesias "cansadas" de não serem reconhecidas quando são "o 112" local

Alguns autarcas aproveitaram para reivindicar "maior valorização" da sua função.

Presidentes de juntas de freguesia de Norte a Sul do país mostraram-se este sábado "cansados" de não serem reconhecidos quando, em situações de emergência como aconteceu na pandemia de Covid-19, são o "112 e os bombeiros de serviço" da população.

No segundo dia do XVIII Congresso da Associação Nacional de Municípios (Anafre), que começou na sexta-feira e termina no domingo, em Braga, alguns autarcas aproveitaram para reivindicar "maior valorização" da sua função porque "são Estado" e têm de ser tratados como tal.

"O papel atribuído ao presidente de junta é dos mais exigentes do panorama político e nem sempre é reconhecido", disse a presidente da Junta de Freguesia de Lousã e Vilarinho, na Lousã, distrito de Coimbra, Helena Correia.

Na mesma linha de entendimento, o presidente da União de Freguesia de Melres e Medas, em Gondomar, no distrito do Porto, José Paiva, lembrou que as juntas estão diariamente no meio das populações e são confrontadas com as mais diversas situações, muitas das quais não são da sua competência, e não são reconhecidas.

"A sensação que temos [freguesias] é que somos o parente pobre do Estado, mas nós juntas de freguesias, embora às vezes não pareça, também somos Estado e temos de ser tratados como tal", destacou José Paiva.

Sublinhando que a maioria dos presidentes de juntas de freguesia não estão no cargo por ambição política, mas por "carolice", o socialista lembrou que estes órgãos autárquicos estão em "cada quadrado de Portugal".

A esse propósito recordou os esforços feitos pelas freguesias durante a pandemia de Covid-19, bem como os elogios que, nessa ocasião, vieram de "todos os lados".

Passado esse período, disse, as freguesias ficaram com uma "mão vazia e outra cheia de nada".

"Estamos fartos de ser elogiados, viemos de uma pandemia onde foi demais evidenciada a nossa ação", frisou.

Também o presidente da Junta de Freguesia da Ribeirinha, em Ponta Delgada, nos Açores, confidenciou "nunca ter trabalhado tanto" como no período pandémico.

"Cada vez mais somos o SOS da população", afirmou Marco Furtado.

Referindo-se ainda à pandemia, o presidente da União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, no distrito de Santarém, José Fernando Martins, recordou que as juntas nunca fecharam as suas portas, ao contrário de alguns serviços públicos.

"Fomos e somos os bombeiros de serviço das pessoas", comentou.

Quando há problemas, independentemente da sua natureza, as freguesias é que são "o 112" da população, corroborou o presidente da Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, na Anadia, distrito de Aveiro, José Carvalho.

Houve ainda quem, no congresso, dissesse que as freguesias são "cada vez mais tudo", desde postos de correios, espaços de renovação de documentos, unidades de primeira intervenção de combate a incêndios, departamentos de obras e piquetes de água e luz.

O XVIII Congresso da Anafre conta com cerca de mil congressistas inscritos e tem o lema "Freguesias 20/30 Valorizar Portugal".

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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