"Não falhámos, não desistimos, não ficamos limitados pela diabetes!"

Subir ao ponto mais alto de Portugal não é tarefa fácil, muito menos quando se tem diabetes tipo 1. Mas foi isso a que se propuseram vários elementos do grupo DiabéT1cos, um grupo de apoio a pessoas com diabetes. A tarefa não foi fácil mas não foi por causa da doença.

Tudo começou há mais de 20 anos, quando o sonho de uma criança "caiu por terra" por causa de um tornozelo torcido. Sérgio Silva, fundador e administrador do grupo de apoio DiabéT1cos , um grupo de apoio a pessoas com diabetes, era essa criança, e mais de 20 anos depois, decidiu rumar de novo à ilha do Pico e subir ao ponto mais alto de Portugal.

O facto de ter diabetes tipo 1 não foi impeditivo de nada, nem para ele nem para os restantes 11 elementos que decidiram partir à aventura e conquistar a montanha com 2351 metros de altura. Do grupo fizeram parte sete pessoas com diabetes tipo 1, três acompanhantes e uma criança de seis anos.

Controlo apertado dos valores do açúcar no sangue, constantes medições da glicemia, picadas no dedo, várias administrações de insulina ao longo do dia, prevenir hipoglicemias (valores muito baixos de açúcar no sangue) ou hiperglicemias (valores muito altos de açúcar no sangue)... É uma gestão complicada, um equilíbrio difícil de manter, mais ainda quando envolve exercício físico pesado como subir e descer uma montanha com 2 351 metros de altitude.

"A diabetes é sempre uma limitação na realização destas atividades, não pelo facto de um diabético não ter todas as capacidades para as realizar sem qualquer problema, mas antes porque necessita de preocupações adicionais que vão para além daquelas que uma pessoa sem diabetes tem", lembra António Vieira, um dos participantes nesta aventura.

Mas isso nunca desmotivou o grupo, antes pelo contrário, ou não fosse o seu lema "somos mais que a diabetes".

A subida acabou por ser a parte mais fácil da atividade. O tempo estava favorável e a glicemia foi mantida sob controlo apertado, com algumas paragens para a picada no dedo e medir os níveis de açúcar no sangue. Com calma, tudo se fez. E nem um pequeno susto com valores altos de glicemia foi motivo para desistir.

"Numa determinada altura tinha a glicemia muito alta e não me senti muito bem, mas nunca pensei em desistir. O que mais queria era chegar ao topo", conta Carla Nunes, uma das participantes. Depois de corrigidos os valores, com a ajuda de outros elementos do grupo mais experientes, voltaram à subida e à conquista do Pico.

Já a descida revelou-se tarefa mais árdua e o "inimigo" acabou por ser o mau tempo e não a diabetes. Muita chuva, muito vento, nevoeiro e um terreno bastante inclinado, tornaram a descida um desafio para os músculos dos participantes.

Foi uma descida bastante dura, todos os participantes concordam, e a diabetes foi a que menos preocupação acabou por dar. Valeu uma boa gestão da doença, calma no ritmo da marcha e a força de vontade em querer chegar ao topo.

O que ficou da viagem? Sérgio Silva resume: "Sensação de conquista, de concretização de um sonho, de um fortalecer de amizades, de conhecer cada vez melhor a diabetes e a sua gestão".

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