De Portugal para Inglaterra. Jovem angaria dez mil euros para continuar a estudar

Em Manchester, a jovem que toca fagote vai frequentar uma das mais especializadas escolas de música.

Erline Moreira, uma antiga aluna da Orquestra Geração, conseguiu reunir mais de dez mil euros na internet para concluir os estudos musicais em Inglaterra. Aos 22 anos, depois de fazer a licenciatura em Portugal, a imigrante cabo-verdiana conseguiu entrar para o mestrado no estrangeiro, mas faltava-lhe o dinheiro para pagar a propina. Conseguiu-o este fim de semana, com uma campanha de crowdfunding que durou três semanas e contou com cerca de 300 donativos.

"As pessoas estão a ser tão queridas, estou a receber imensas mensagens de apoio. Sinto mesmo que estou a conseguir comunicar com as pessoas, agradecer e mostrar que estou mesmo muito feliz e agradecida", revelou à TSF Erline Moreira.

Em Manchester, a jovem que toca fagote - e que chegou a Portugal aos quatro anos, com a mãe viúva e a desempenhar funções de empregada de limpeza - vai frequentar uma das mais especializadas escolas de música.

"Queria ser veterinária, quando era pequenina, porque sempre gostei muito de animais, mas a matemática nunca foi muito o meu forte, então achei que nunca poderia seguir essa área", explicou a estudante. Acabou por seguir música depois de ter experimentado a Orquestra Geração, em Vialonga.

"Mudou tudo. Primeiro, nunca tinha tido oportunidade de aprender um instrumento, quanto mais seguir música. Não sei onde estaria agora se não fosse a Orquestra Geração, não faço a mínima ideia. Provavelmente nem tinha ido para o ensino superior", afirmou Erline Moreira.

Estudou no Conservatório Nacional, licenciou-se na Academia Nacional de Orquestra e, pelo meio, ia trabalhando.

"Se me diziam que alguém precisava de uma pessoa para tomar conta de uma criança, eu ia logo. Agarrava todas as oportunidades, o mínimo que fosse", recordou a jovem.

As coisas só correram mal numa cadeia de fast food. "Implicavam com o meu cabelo, diziam que tinha de alisar e fazer mais não sei o quê. Não acho que Portugal seja um país racista, como vejo muita gente dizer por aí, a maior parte das pessoas não é racista. Mas também é errado dizer-se que não há racismo, porque há", ressalvou Erline Moreira.

A recolha de fundos vai continuar e Erline promete um dia retribuir o apoio de todos os que a ajudarem a continuar os estudos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de