Médicos aceitam palavras de Costa? Profissionais queriam pedido de desculpas

As organizações sindicais esperam que o Governo faça uma maior aposta no Serviço Nacional de Saúde.

António Costa e o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, estiveram reunidos esta terça-feira e serenaram o clima de guerra entre a classe médica e o Governo. Entre palravas de respeito e confiança, as organizações sindicais lamentam, no entanto, que o primeiro-ministro não tenha feito um pedido de desculpas.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) refere que um lamento mais profundo seria bem-vindo. Roque da Cunha espera agora que as palavras de António Costa não sejam só "retórica".

Em declarações à TSF, o secretário-geral do SIM diz que tem de haver mais do que linguagem política. "O facto de ter recebido o bastonário Miguel Guimarães quer dizer que reconheceu o erro, foi a primeira vez que o primeiro-ministro esteve com a Ordem dos Médicos. As desculpas evitam-se, mas não tinha ficado mal ao Sr. Primeiro-ministro dizer a palavra desculpa", atira.

Roque da Cunha diz que, neste caso, um pedido de desculpas "teria tido um grande significado". "A análise foi reconhecer o extraordinário trabalho dos médicos, mas espero que não seja só retórica. Esperamos que isto signifique um maior apoio ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que nos preocupa são os utentes", confessa.

O secretário-geral do SIM afirma ainda que a reunião desta terça-feira foi um sinal positivo, mas aquém das expectativas. António Costa devia ter anunciado um reforço do investimento no SNS.

"Estávamos à espera de algo mais concreto. Nunca se investiu tão pouco no SNS como agora e exigimos, igualmente, que nos lares estejam médicos com o apoio da Segurança Social. Os nossos idosos têm de ter a garantia de que são acompanhados por médicos e enfermeiros."

Roque da Cunha garante que não se pode criar a ideia de que os médicos de família resolvem os problemas nos lares de idosos. O SIM lembra que 700 mil utentes estão sem médico, e há ainda dezenas de milhares de consultas adiadas por orientação do Governo.

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) espera, igualmente, que o apoio do Governo vá além das palavras. Noel Carrilho, presidente da FNAM, segue a mesma linha e admite que faltou um pedido de desculpas.

"Exigíamos um pedido de desculpas concreto, a classe profissional merecia. Seja como for, não queremos alimentar guerras de palavras. O que nos interessa é que isto não passe só de palavras", alerta.

A FNAM lembra que a ministra da Saúde, Marta Temido, não tem recebido os dirigentes das organizações médicas "na altura mais desafiante do SNS desde que há memória".

O encontro de urgência entre António Costa e o bastonário da Ordem dos Médicos foi marcado na segunda-feira, na sequência da tensão criada nos últimos dias. Em causa estão as palavras de António Costa sobre os médicos que, alegadamente, se recusaram a prestar auxílio no lar de Reguengos de Monsaraz.

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