Médicos das Forças Armadas em Reguengos? "Foram chamados ao mesmo tempo do que os civis"

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos garante que os médicos não rejeitaram trabalhar no lar.

O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos garante que os médicos e enfermeiros militares só foram chamados para o lar de Reguengos de Monsaraz porque as escalas não estavam preenchidas para apoiar os doentes durante a noite. O primeiro-ministro e o diretor da Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS) assumiram que a chamada das Forças Armadas foi essencial.

O presidente deste conselho regional da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, recusa a ideia de que os médicos civis tenham rejeitado trabalhar no lar.

"As escalas não eram suficientes para trabalhar 24 sobre 24 horas, com três médicos e a presença de uma internista de medicina interna como pretendia o Dr. José Robalo. Não houve capacidade de o fazer desde o primeiro momento. Os médicos que relataram as más condições nem podiam estar no lar, uma vez que estavam a trabalhar nas suas unidades."

Questionado se as Forças Armadas foram solicitadas depois de os médicos recusarem prestar serviço no lar de idosos, Valentim Lourenço desmente. "Os militares foram chamados ao mesmo tempo que os médicos civis. Não havia capacidade para deslocar médicos internistas e de cuidados intensivos para um local que não tinha condições para prestar estes cuidados médicos", garante.

O presidente do Conselho Regional do Sul admite, no entanto, que as Forças Armadas foram importantes para organizar o trabalho. "Os médicos militares foram essenciais, porque sem médicos e enfermeiros militares não teria havido qualquer apoio durante a noite. Os médicos militares, ao fim de 15 dias, trouxeram alguma organização a um lar completamente desorganizado."

O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos lembra que o diretor da ARS do Alentejo, José Robalo, não tem contestado as más condições detetadas pelo relatório da Ordem no lar de Reguengos de Monsaraz.

"Apresenta argumentos jurídicos, mas não refuta nenhum dos factos revelados pela auditoria que a Ordem fez. Os médicos que estavam presentes, voluntários, alertaram sempre para as más condições. Era impraticável e ilegal exercer medicina naquela situação", acusa.

Valentim Lourenço revela que, após 15 dias, não havia um plano de contingência no lar de idosos. A Direção-Geral de Saúde exigiu que as unidades elaborassem um plano em abril. "Esses factos não foram refutados pelo Dr. José Robalo e seria importante perceber se era do seu conhecimento e que intervenção é que a ARS fez."

A Ordem dos Médicos diz que é essencial apurar de quem são as responsabilidades por manter o lar em funcionamento. "Funcionava como uma estrutura e um apoio semelhante a um hospital, quando, na verdade, os doentes precisariam de estar todos, em avaliação, numa unidade hospitalar", afirma Valentim Lourenço.

Também nesta terça-feira, em declarações à TSF, José Robalo admitiu que sem as Forças Armadas, poderia haver períodos sem a assistência necessária aos utentes do lar. O diretor da ARS do Alentejo admitiu que o apoio médico e de enfermagem por parte dos militares foi essencial.

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