Morreu Vicente Jorge Silva, jornalista e primeiro diretor do Público

Vicente Jorge Silva tinha 74 anos.

Morreu esta madrugada o primeiro diretor do Público Vicente Jorge Silva. A notícia é avançada pelo Público. Além de jornalista fundador da publicação que nasceu a 5 de março de 1990, Vicente Jorge Silva criou e dirigiu a Revista do Expresso e foi responsável pelo relançamento do Comércio do Funchal.

A primeira semente do jornal Público foi plantada por Vicente Jorge Silva: ideia a que se juntaram também nomes como Augusto M. Seabra, Henrique Cayatte, Jorge Wemans, José Manuel Fernandes, José Vítor Malheiros, Nuno Pacheco, Joaquim Fidalgo e José Queirós, antigos jornalistas do Expresso. É Vicente Jorge Silva que fornece as principais pistas para o registo editorial do diário nascido no início dos anos 1990, numa era de transição entre o mundo antes e depois da internet.

Nasceu a 8 de novembro de 1945, numa família de fotógrafos, o que poderá ter estado na origem da sua paixão pelo cinema. Mais tarde, aos 15 anos, começou a escrever críticas à sétima arte destinada a maiores de 17. A história de vida de Vicente Jorge Silva, conforme lembra o jornal Público, passa também por lavar pratos em Londres, trabalhar numa fábrica em Paris e acartar lixo e colchões num hotel de Bournemouth. Depois, agarrou a oportunidade de relançar o título Comércio do Funchal, a papel cor-de-rosa, como disse, "para marcar a diferença".

Depois do 25 de Abril, Vicente Jorge Silva tornou-se jornalista do Expresso, onde foi chefe de redação e diretor-adjunto e criou a Revista.

Do currículo do jornalista também consta a realização de uma longa-metragem, "Porto Santo", com interpretação de Leonor Silveira, Beatriz Batarda e Ana Zanatti. Foi ainda colunista do Diário Económico, do Diário de Notícias, no Sol, e acabou por retornar ao Público. Chegou a ser deputado pelo Partido Socialista, eleito pelo círculo eleitoral em Lisboa.

Vicente Jorge Silva marcou uma geração do jornalismo em Portugal. A expressão "geração rasca" é da autoria do cronista, que a incluiu num editorial que assinou aquando das manifestações estudantis contra a então ministra da Educação do Governo de Aníbal Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite.

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