Na APAV, o aumento de casos de violação foi notado

Em 2021, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima contabilizou 176 pedidos de ajuda por violação, mais 32 do que em 2020.

Um eventual impacto dos períodos de confinamento, mas sobretudo uma sociedade mais consciente do crime de violação, são razões apontadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) para o crescimento do número de casos.

"O crime de violação pode acontecer em qualquer contexto, portanto, é possível que tenhamos situações a acontecer dentro da família e inclusivamente dentro do contexto familiar", afirma Carla Ferreira, da APAV, que não exclui a hipótese dos confinamentos impostos pela pandemia terem contribuído para um aumento dos casos.

"Não nos podemos esquecer que não estamos a falar de um crime que acontece apenas quando saímos à noite", acrescenta.

Mas mais do que isso, Carla Ferreira acredita que o aumento do número de casos reportado no Relatório de Segurança Interna (mais 26% do que em 2020) está ligado ao facto de a sociedade estar mais desperta e denunciar mais este tipo de crime. "Aquilo que nós temos é a perceção clara de uma sociedade que vai estando mais consciente daquilo que é o fenómeno e mais capacitada para identificar e reportar estas situações e pedir ajuda, naturalmente", revela a técnica.

Em 2021, chegaram à Associação de Apoio à Vítima 176 pedidos de ajuda relativos a violação (mais 32 do que em 2020), 137 contra adultos e 39 contra menores. Carla Ferreira sublinha que "a violação pode ser praticada contra maiores ou menores, em diferentes contextos" e assinala a importância de continuar a apostar na sensibilização da sociedade.

"É importante que as pessoas saibam concretamente o que é que configura um crime de violação, que saibam, por exemplo, que o crime de violação também existe, mesmo que os atos tenham sido de forma tentada. E simultaneamente também temos aqui canais de comunicação abertos para que as pessoas possam pedir ajuda e denunciar as situações."

Para Carla Ferreira é urgente que a sociedade tenha "pessoas mais atentas, mais intolerantes, mais ativas contra estes fenómenos violentos".

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