"Não nos podemos esquecer do que foram janeiro e fevereiro"

Secretário de Estado da Saúde recusou comentar a atuação dos responsáveis pela segurança interna.

Diogo Serra Lopes, secretário de Estado da Saúde, afirmou que é muito importante que os portugueses compreendam que multidões como aquelas que se viram durante os festejos do título do Sporting não são aconselhadas em plena pandemia e pediu que não se esqueçam do drama que o país viveu no início do ano.

"Só as próximas semanas é que nos responderão. Há muitos poucos meses estávamos numa situação extremamente difícil, não nos podemos esquecer do que foram janeiro e fevereiro de 2021. O apelo continua a ser à maior responsabilidade e contenção possível de uma alegria que é natural, mas pode ser, certamente, comemorada de uma forma mais segura", explicou.

Questionado sobre possíveis falhas por parte da segurança interna, Diogo Serra Lopes recusou comentar a atuação de outras áreas que não sejam as da saúde.

"As autoridades de saúde continuam a aprender também com situações que não tinham acontecido até agora. Vamos ver como vai evoluir a pandemia e também tirar lições disso", afirmou.

Durante os festejos, milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio do clube, no Campo Grande, quebrando todas as regras do estado de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia de Covid-19, em que não são permitidas mais de dez pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.

A maioria dos adeptos não cumpriu também com as regras de saúde publica ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.

A PSP anunciou na quarta-feira que deteve três pessoas, identificou outras 30 e apreendeu 63 engenhos pirotécnicos durante os festejos da equipa.

No comunicado, o município refere que é tradição dos clubes da cidade organizar festejos no Marquês de Pombal, pelo que, apesar da pandemia, a "aglomeração espontânea de pessoas era muito provável" e "colocava particulares desafios ao clube campeão e às autoridades de saúde e forças de segurança".

A Câmara lembra que não há neste momento em vigor "qualquer limitação horária ou outra à circulação das pessoas em espaço público" e destaca que "nas reuniões preparatórias do evento a preocupação de todos os presentes foi diminuir o previsível afluxo de pessoas a um ponto único: a praça do Marquês de Pombal".

"É nesse contexto que surge a solução de levar os jogadores num autocarro aberto, em contacto com os adeptos ao longo de um percurso de seis quilómetros entre o estádio e o Marquês de Pombal", acrescenta.

Também com o objetivo de diminuir a concentração de pessoas num único local foi decidido "não permitir a montagem de um palco, ao contrário do que sempre aconteceu em anos anteriores, na praça Marquês de Pombal".

O município afirma ainda que "recebeu comunicação de manifestação junto ao estádio de Alvalade, que remeteu, conforme a lei, para a PSP", realçando "que o direito de manifestação não está (e não pode estar) sujeito, nos termos da Constituição, a qualquer autorização ou condicionamento por parte das câmaras municipais".

O Sporting sagrou-se na terça-feira campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista, ao vencer na receção ao Boavista, por 1-0, com um golo de Paulinho, aos 36 minutos, em jogo da 32.ª jornada da I Liga.

Na quarta-feira à tarde, o candidato à Câmara de Lisboa Carlos Moedas (PSD) acusou o presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), de ter falhado na organização dos festejos.

Em declarações aos jornalistas, em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, o Presidente da República considerou que "quem deve prevenir" aglomerados de pessoas como os dos festejos do Sporting, em Lisboa, "não conseguiu prevenir", esperando que tal "não tenha custos" para a saúde pública em breve.

O primeiro-ministro, António Costa, adiantou, entretanto, que o Governo pediu à Inspeção-geral da Administração Interna a abertura de um inquérito à atuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de futebol.

"Relativamente aos eventos de ontem [terça-feira], o senhor ministro da Administração Interna já teve ocasião de fazer um despacho, primeiro solicitando à PSP informações sobre como tinha sido articulado todo o planeamento com o conjunto das entidades envolvidas, desde o Sporting Clube e Portugal à Câmara Municipal de Lisboa e à Direção-geral da Saúde, e solicitando à Inspeção-geral da Administração Interna um inquérito à atuação da Polícia de Segurança Pública naquele contexto de ontem", afirmou António Costa.

Época balnear: "Não vai haver uma enorme diferença entre as regras do ano passado"

Já sobre a época balnear sublinhou que só se saberá concretamente que medidas vão ser tomadas quando for conhecida a norma final e acrescentou que todas as normas são sempre revistas e melhoradas.

"Não vai haver uma enorme diferença entre as regras do ano passado, em termos balneares. Isto partindo do princípio de que os níveis de incidência não se alteram de forma significativa", esclareceu o secretário de Estado da Saúde.

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