Patrões do turismo pescam alunos na escola de hotelaria do Algarve

O gabinete da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve que gere as carreiras dos alunos recebe de hotéis e restaurantes cerca de 10 a 15 ofertas semanais de emprego. Há quem comece a trabalhar quando ainda está a tirar o curso.

Ultimamente não param de chegar à Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve os pedidos dos hotéis, restaurantes e empreendimentos turísticos. "É verdade, há muitos pedidos", admite a coordenadora do Talent Spot, o gabinete que gere as carreiras profissionais dos estudantes. Maria Eduarda Freitas salienta que, com a retoma do setor, após o período mais difícil da pandemia, "há 10 a 15 pedidos semanais" por parte dos empregadores que pretendem ter mão-de-obra qualificada. "E não vêm só da região, também do estrangeiro", conta.

Aos estudantes não têm faltado ofertas de emprego, até quando ainda estão a estudar. Doina Moroi, uma moldava que está em Portugal desde os 12 anos, frequenta o curso de gestão hoteleira e alojamento e já vai começar a trabalhar na receção de um empreendimento turístico em Vilamoura. "Estar inscrita nesta escola já é meio caminho andado", admite. "Eles ouviram que eu andava na escola de turismo e agarraram logo a oportunidade."

Doina vai continuar a frequentar o curso e tentar conciliar com a oferta de emprego que recebeu. Outro estudante, José Titsen, frequentou o curso de técnicas de cozinha e pastelaria. Acede frequentemente à plataforma onde são colocadas as ofertas de emprego para os alunos e viu que há várias possibilidades em aberto. "Talvez o Hilton, mas também gostava de ir para o estrangeiro", assume o jovem de 19 anos. Arranjar emprego na área "é fácil, esta plataforma ajuda-nos imenso pela proximidade que tem com as empresas", diz.

Empregados de mesa, de quartos e governantas de andar são os trabalhos mais requisitados nesta altura pelos empregadores. Os hoteleiros têm-se queixado amiúde da falta de mão de obra para o setor, estimando que sejam necessários mais 15 mil trabalhadores. Os sindicatos, por seu lado, alegam que não há gente disponível porque os salários são muito baixos e defendem que é preciso valorizar o trabalho. A professora da escola de Hotelaria e Turismo do Algarve considera que já há hotéis que o fazem, mas outros ainda valorizam pouco quem tem formação. "Um aluno que sai daqui está preparado para o cargo que vai ocupar e há unidades hoteleiras que não têm capacidade para pagar o que é justo", afirma. "É preciso começar a nivelar os ordenados", conclui.

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