Populações de Montalegre e Boticas batem o pé contra as minas

Mês de agosto marcado por vários protestos. Este domingo, populares manifestaram-se contra exploração de volfrâmio na zona da Borralha.

Por um futuro sem minas na região do Barroso (Montalegre e Boticas), várias dezenas de pessoas manifestaram-se, este domingo, em Salto, Montalegre. Alegaram que as explorações mineiras vão prejudicar o modo de vida dos habitantes, com fortes impactos na agricultura, floresta, pecuária e cursos de água.

"Não à mina. Sim à vida", foi só um dos slogans desta manifestação, que contestou, em primeiro lugar, a mina de volfrâmio prevista, a céu aberto, para a zona da Borralha, em Montalegre. Começou com uma marcha de protesto com cerca de uma centena de tratores, carros e motas, que arrancou de Linharelhos, passou pela Borralha e acabou em Salto, onde decorria uma feira muito concorrida por emigrantes.

O objetivo desta contestação, que já teve e vai continuar a ter outros episódios, é impedir uma mina a céu aberto, que segundo diz Cristiana Barroso, do Movimento Não às Minas - Montalegre, um dos organizadores da iniciativa, "vai prejudicar uma região que é património agrícola mundial e reserva da biosfera", onde "as pessoas subsistem com o que a natureza dá", destacando "muitos produtos com denominação de origem controlada".

Quem vive na Borralha, quase paredes meias com a Brecha de Santa Helena, local onde a mina de volfrâmio vai nascer, não se conforma com a perspetiva de vir a ter à porta uma mina a céu aberto. "A zona onde querem montar as lavarias e a deposição de areais fica a 30 ou 40 metros de minha casa", protesta Álvaro Frutuoso. Os rebentamentos previstos preocupam a mulher, Lurdes, que já está a antecipar que vai sentir na sua habitação "um abalo sísmico todos os dias", pois, segundo diz, "vão rebentar, diariamente, 720 quilos de explosivos à porta de casa".

Aníbal Fernandes, de 23 anos, também não gostaria de ver a sua vida infernizada por uma mina a céu aberto que vai ser criada "a 100 metros de casa". Recorda que as minas da Borralha funcionaram no século passado (encerraram em 1986) em sistema de galerias, "uma delas a passar por baixo" da sua habitação, pelo que teme que os futuros rebentamentos possam "originar derrocadas" que coloquem "em risco" todo o património construído pelos pais ao longo de muitos anos.

A Minerália é a empresa, com sede em Braga, que requereu a celebração do contrato de concessão de exploração de volfrâmio, estanho e molibdénio na área do antigo couto mineiro da Borralha. As minas que ali estiveram em atividade, entre 1902 e 1986, foram um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal, criando muita riqueza naquela zona de Montalegre.

Para além da contestação à nova mina da Borralha, a manifestação de hoje também pretendeu repudiar todos os outros projetos mineiros previstos para a região, quer estejam em fase de pedido de prospeção, exploração ou já em laboração.

Contra a mina de lítio prevista para a zona de Morgade, em Montalegre, realizou-se, também este domingo, uma caminhada pela zona que deverá ser afetada. Os protestos contra as minas previstas para a região do Barroso vão continuar no próximo fim de semana, com um acampamento em Covas do Barroso, onde a empresa Savannah Lithium, Lda. quer explorar lítio.

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