Valor do gás, pouca chuva e pouco vento. O que se passa com o preço da luz?

Preços da eletricidade estão "completamente descontrolados".

Há quem lhe chame uma "tempestade perfeita" que, mais tarde ou mais cedo, se acaba por sentir no bolso dos consumidores.

No último mês os preços da eletricidade no mercado grossista da Península Ibérica bateram recorde atrás de recorde e Pedro Silva, analista do setor da energia na Deco Proteste, diz que a tendência não deve ficar por aqui.

Estas subidas levaram a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) a anunciar na quarta-feira um aumento de 3% na fatura dos consumidores portugueses que se mantêm no mercado regulado, mas Pedro Silva acredita que a subida é para continuar e vai atingir, em breve, os consumidores do mercado liberalizado e que são a larga maioria.

O economista da Deco diz à TSF que estamos perante uma "tempestade perfeita" em que se conjugam vários fatores e que não é fácil de explicar para quem não conhece o funcionamento deste mercado.

"Os preços do gás natural estão em alta por tensões geopolíticas [da União Europeia com a Rússia] e os stocks estão baixos desde o último inverno, algo que se prolongou e que começa a ser pernicioso. A quebra de produção das renováveis ao longo deste verão que vivemos tem obrigado a chamar fontes não renováveis [como o carvão e o gás natural] para a produção de eletricidade, fontes essas que têm preços mais altos e que suportam, também, a necessidade de adquirir os chamados títulos de carbono" criados para descarbonizar progressivamente a União Europeia, detalha o especialista.

Em resumo, os preços do gás, também usado para fazer eletricidade, estão em alta, e sobretudo o vento - tal como a chuva - tem sido pouco.

"Uma baixa produção das renováveis e um incremento das não renováveis na produção de eletricidade fez disparar os preços da eletricidade de uma maneira que se queria controlada e que se afigura, agora, como completamente descontrolada face aos preços de quase 200 euros por megawatt que se estão a praticar", refere Pedro Silva.

UE quer livrar-se de combustíveis fósseis

Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia, defendeu ontem que os preços recorde da eletricidade que se sentem em vários países da União Europeia (UE) revelam que a UE deve livrar-se rapidamente dos combustíveis fósseis e acelerar a transição para a energia verde.

O responsável adianta que se essa transição tivesse sido feita mais cedo a União Europeia não estaria agora dependente dos elevados preços de produção de eletricidade a partir dos combustíveis fósseis, sublinhando que os custos das energias renováveis mantêm-se baixos e estáveis.

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