Privados não recusam doentes Covid e dizem que ARS se comportou como "bombeiro incendiário"

Óscar Gaspar, da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, considera que as declarações do presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo foram de lamentar e garante que os privados estão disponíveis para receber doentes do SNS.

Um "bombeiro incendiário". É esta a expressão usada pelo presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, depois de surpreendido pelas declarações de Luís Pisco, presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que afirmou na quarta-feira que os hospitais privados não tinham disponibilidade para receber doentes com Covid-19 na região. Óscar Gaspar, da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, considera que a declaração foi "lamentável" e garante que os privados estão disponíveis para receber doentes do SNS.

"Não só estranhei como acho absolutamente lamentável, porque foi ao arrepio daquilo que tem sido o comportamento de outros dirigentes da saúde", enfatiza Óscar Gaspar, em declarações à TSF, que garante haver uma ponte de diálogo constante entre o SNS e o setor privado. "A ARS Norte também, há cerca de duas semanas, já tinha pedido o levantamento da capacidade dos hospitais privados. Tem havido diálogo entre hospitais privados e hospitais do SNS também no Porto."

Na quarta-feira a TSF noticiou que a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada não confirmava, numa resposta escrita enviada à redação, a indisponibilidade para receber doentes Covid-19 de hospitais públicos na Grande Lisboa e explicava que, na primeira reunião formal que se realizou na quarta-feira com a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, ficou definido que esta última ainda elaborará um plano com as necessidades e termos em que os privados podem colaborar com os hospitais públicos.

Por outro lado, Luís Pisco, presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, afirmava na quarta-feira que nenhum hospital privado mostrou disponibilidade para receber algumas dezenas de doentes Covid-19 do Serviço Nacional de Saúde (SNS), isto depois de várias declarações, por parte dos privados, de que estavam prontos para ajudar o SNS.

"Este tipo de intervenção do presidente da ARS de Lisboa um bocadinho a entrar na política, num momento tão sério, é quase comportar-se como um bombeiro incendiário, que não contribui nada para resolver os problemas", analisa o representante da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada. Para Óscar Gaspar, esta postura, "pelo contrário, cria ruído" e gera um "mal-entendido".

Na perspetiva do presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, "aquilo que fará sentido é que a coordenação deste plano de combate à Covid deva ser assegurado em primeira linha pelo Ministério da Saúde".

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada diz que aguarda que o Governo defina um plano sobre a colaboração dos hospitais privados para poderem reorganizar os serviços e tomar uma decisão. Mas Óscar Gaspar assegura que as unidades privadas de saúde estão disponíveis para receber doentes Covid e não Covid. "Desde que haja um planeamento atempado, claro, transparente e o enquadramento seja também claro na razão entre os hospitais privados e o SNS, não há nenhum tipo de questão de nós recebermos doentes Covid, porque nós neste momento já estamos a fazê-lo."

Óscar Gaspar afiança que a questão do dinheiro não é um entrave, "sendo certo que tem de ser assumido pelo Estado e por todos nós que, quando estamos a dizer que afetamos x camas a doentes Covid, estamos a dizer que essas camas não podem estar disponíveis para doentes não-Covid. Essa questão é muito importante. Continuam a existir muitas doenças em Portugal e muita necessidade de cuidados de saúde".

Há já, neste momento, pacientes com Covid-19 a recorrer aos hospitais privados. Trata-se de "pessoas que têm seguro de saúde e que procuram" os privados.

Óscar Gaspar diz querer afastar "dois fantasmas": o primeiro é que "a questão financeira possa servir de obstáculo à participação [dos privados]" e o segundo é que, nalgum caso, os privados tenham "uma remuneração superior àquela que têm os públicos", o que "não acontecerá".

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