Sem noites e espetáculos, este DJ do Lux dedica-se às chamuças

Marco Antão, DJ residente do Lux Frágil em Lisboa, conhecido por Switchdance, ficou sem trabalho quando a pandemia atingiu o país no último ano, e por isso começou a vender chamuças que aprendeu a fazer com a mãe.

Marco Antão organiza a venda de chamuças a partir de casa, em Odivelas. Não tem mãos a medir com as encomendas que vai recebendo. Esteve a preparar o recheio para chamuças de peru e agora enche os triângulos de massa, que dobra cuidadosamente. Conta que o segredo é não poupar na cebola e nos coentros, sem esquecer as especiarias: açafrão, gengibre, cominhos e pimenta.

São picantes e Marco Antão defende que é assim que devem ser. "Não é aquele picante que deixa as pessoas mal dispostas, mas tem de ser picante."

As SwitchSamosa nasceram durante o confinamento, quando Marco Antão decidiu aprender a fazer chamuças com a mãe, que esteve anos a aperfeiçoar a técnica.

"A minha mãe é portuguesa, é do Minho, o meu pai é de Goa, mas a minha mãe, como gosta muito de cozinhar e estava casada com um goês, começou a aprender a fazer pratos indo-portugueses", conta.

Acabou o dia de aprendizagem com 200 chamuças e uma fotografia publicada no Instagram desencadeou reações inesperadas. "Toda a gente a dizer: "Eu quero comprar, eu quero". Eu estou a gozar, não percebeste? Eu não vou vender chamuças", dizia.

Marco Antão não tinha pensado em vender chamuças, mas, com a conta bancária a chegar a zero, depois de meses parado sem espetáculos em Lisboa ou no estrangeiro, devido à pandemia, deu uma oportunidade à cozinha.

Agora faz cerca de 200 chamuças por semana, que ajudam a pagar as contas, até porque não sabe quando vai poder retomar o trabalho de DJ.

"Para o meu ramo, as coisas não devem ser assim tão fáceis. Os espaços noturnos estão sujeitos a muitas limitações que, às vezes, nem sei se justifica abrir", afirma.

Acredita que depois do confinamento vai poder regressar ao trabalho com muitas restrições, mas, até ao final de 2021, não conta com normalidade no setor dos eventos de música eletrónica.

Marco Antão vai equilibrando as contas, mas lembra que os profissionais da música e da cultura estão a passar tempos difíceis. "Desde técnicos, músicos, atores de teatro, de cinema, está tudo abandonado ou recebem um mísero suporte de 200 ou 300 euros. Para estes meses todos, vai fazer um ano, é um bocado tristonho", lamenta.

Apesar da venda de chamuças estar a correr bem, Switchdance, como é conhecido no mundo da música, não conta abandonar a profissão. E quem sabe se, no regresso à normalidade, as chamuças do Switchdance não passam a fazer parte do menu do Lux Frágil, mesmo ao lado da famosa tosta mista. "Umas chamuças e cerveja combinam muito bem."

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