Socialistas da UGT elegeram Mário Mourão para presidente

Eleição decorreu no âmbito do VIII congresso da tendência sindical socialista, que se realizou em Lisboa.

Os socialistas da UGT elegeram este domingo Mário Mourão para presidente da tendência sindical, tornando-o também no candidato a secretário-geral da central, para substituir Carlos Silva em 2022.

A eleição decorreu no âmbito do VIII congresso da tendência sindical socialista (TSS), que se realizou em Lisboa e foi marcado pela novidade de existirem duas candidaturas.

José Abraão e Mário Mourão disputaram a liderança da TSS, mas foi o dirigente dos bancários do norte que conseguiu a vitória, com mais meia centena de votos.

Mário Mourão revelou estar satisfeito com a escolha dos camaradas e algumas das bandeiras enquanto presidente da tendência socialista da UGT.

"A prioridade é para a reorganização da tendência socialista. Há também que atenuar também as tensões de um congresso que, pela primeira vez, teve dois candidatos. Teria sempre algumas fricções, há agora que apanhar os cacos e tentar construir unidade para que nos preparemos para, em abril de 2022, podermos ir ao congresso da UGT", explicou à TSF Mário Mourão.

Houve, pela primeira vez, dois candidatos e o resultado foi renhido, mas Mário Mourão não encara isso como um sinal de divisão.

"Não há divisão. Houve dois candidatos, apresentaram-se as duas moções, foi possível apresentar documentos em conjunto. Não vejo que haja divisão, foi um debate democrático", afirmou o novo presidente da tendência sindical.

Para o futuro, o novo presidente garante contar com todos, incluindo José Abraão, que considera ser um "quadro fundamental" na tendência sindical socialista e na própria UGT.

"Representa um setor fundamental na economia portuguesa, que é a administração pública, e portanto terá sempre lugar e será sempre um fator de unidade e insubstituível", acrescentou Mário Mourão.

Mário Mourão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro de Portugal (SBN), ex-Sindicato dos Bancários do Norte, desde 2005, quer "pôr o setor privado na agenda" da central, "a par com o da função pública", para "dar resposta" e "visibilidade" a todas as áreas que a organização sindical representa.

Ao mesmo tempo, quer que a TSS se aproxime mais do PS. Após a eleição, disse à agência Lusa que vai trabalhar para reorganizar a tendência, para a unir, de forma a contribuir para o reforço da UGT.

"Neste momento, não existem vencidos nem vencedores, a TSS tem de preparar o congresso da UGT e ajudar a fortalecer a central", disse Mário Mourão.

José Abraão, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap) e da Federação Sindical da Administração Pública (Fesap) desde 2013, defendeu na sua candidatura a renovação e o aprofundamento do projeto sindical da central, a unidade interna e a aproximação aos trabalhadores nos locais de trabalho.

No final do congresso, José Abraão elogiou o debate realizado e disse que irá continuar a trabalhar pela unidade e pelo fortalecimento da UGT.

Esta foi a primeira vez que a eleição para a presidência da TSS/UGT contou com mais do que uma candidatura, ou seja, foi a primeira vez em 43 anos de existência da UGT que a liderança da central foi disputada.

Cabe ao congresso da tendência sindical socialista eleger, através de voto secreto, o seu presidente e, consequentemente, o candidato a secretário-geral da UGT.

Normalmente, é o presidente eleito da tendência sindical socialista que se candidata posteriormente ao cargo de secretário-geral da UGT, embora estatutariamente possam apresentar-se outros candidatos no congresso da central, desde que reúnam os apoios necessários, mas isso nunca aconteceu na história da UGT.

O XIV congresso da UGT deveria ter-se realizado em abril, mas foi adiado, devido à pandemia da Covid-19, para abril do próximo ano.

Carlos Silva foi até este sábado o presidente da TSS, lugar que ocupava há oito anos, os mesmos que tem como secretário-geral da UGT.

Eleito no XII congresso da UGT, em abril de 2013, Carlos Silva, que era presidente do Sindicato dos Bancários do Centro, substituiu o histórico João Proença, que liderou a TSS e a central sindical durante 18 anos.

João Proença foi o segundo secretário-geral da UGT e sucedeu a José Manuel Torres Couto. Criada em 28 de outubro de 1978, numa Assembleia Constitutiva em que foram aprovados os seus estatutos e a declaração de princípios provisórios, a UGT viria a transformar-se formalmente em central sindical em janeiro do ano seguinte.

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