Um querido mês de agosto com cuidados redobrados

Regresso dos emigrantes é tema de conversa nas aldeias transmontanas.

Com o mês de agosto à porta, espera-se no país uma maior presença de emigrantes. Em Trás-os-Montes, por exemplo, é difícil encontrar uma aldeia que não tenha emigração. Vale de Lamas, a dois passos de Bragança é uma delas. Ali quase metade da população está emigrada. Já chegaram alguns e muitos mais devem regressar durante o fim de semana. Por causa da pandemia, as opiniões, cerca da sua vinda, dividem-se.

Jesuíno Martins, nascido e criado em Vale de Lamas, acha que "devem vir porque regressam à terra natal. A Covid-19 tanto está na França como na Espanha como aqui. Acho bem que venham".

E ali, na sua aldeia natal, a quatro quilómetros de Bragança, há muita gente fora, acrescenta: "Aqui, cerca de 40% das famílias estão emigradas. Que eu saiba ainda só estão aí dois casais."

É com mais três amigos, sentados na esplanada do café da associação, que o polícia, agricultor nas horas vagas, acrescenta que não vê razão para que quem chega fique em isolamento. "Não, eu acho que não. Acho que a quarentena só é viável quando houver mesmo um caso confirmado de contágio, de resto, não."

Um pouco ao lado, do alto dos seus 80 anos, Domingos Carvalho também não vê razão para que não venham. "Então não hão de vir porquê? São cá da terra. Fazem cá falta". Mas sempre vai acrescentando que antes deveriam fazer o teste, ou lá ou cá. "Fazer os testes como fazem as outras pessoas. Ou lá à saída ou cá à entrada em Portugal".

Também na ideia de Leonel Vaz, responsável do bar da associação, quem chega deveria respeitar uma quarentena voluntária. "Eu acho que sim porque isto anda muito mal. Está pior do que nós pensamos. Tentamos manter o afastamento social e tal mas há sempre aqueles contactos que, por vezes, não deveria haver. É bom que eles venham mas também há um bocado de receio."

Nem com residentes nem com emigrantes. Em Vale de Lamas esperam-se os filhos da terra, com ansiedade mas também se espera que tenham todos os cuidados obrigatórios, com eles e com os que cá estão.

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