A espantosa realidade das coisas

“A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias”
No magazine semanal de Fernando Alves, o sociólogo Paulo Pedroso observa a superfície e o fundo dos grandes temas da sociedade global. A investigadora Rita Figueiras promove a literacia da comunicação política. E a repórter Teresa Dias Mendes regista sinais fortes dos dias que passam.
Aos domingos, depois das 13h00

Trump marca mais do que a agenda: "exclui" aquilo de que não fala

O magazine dos domingos regressa com a equipa habitual: a investigadora Rita Figueiras, professora de Ciências da Comunicação e Comunicação Política da Universidade Católica de Lisboa, o sociólogo Paulo Pedroso, professor do ISCTE, a repórter Teresa Dias Mendes e o sonoplasta Miguel Silva.

Nesta emissão, Rita Figueiras aborda um estudo do Laboratorio del Periodismo sobre o reforço do teletrabalho ensaiado por vários grupos de comunicação um pouco por todo o mundo. "Não é uma boa notícia para as redacções", conclui aquela plataforma de reflexão sobre o trabalho dos media, porque "as redacções foram e devem continuar a ser lugar de encontro inter-geracional e centro de debate de ideias".

Contudo, grandes jornais como o Washington Post ou o New York Times resistem ao esvaziamento físico das suas redacções e a sua robustez parece crescer, em plena crise.

"Trata-se de jornais cujo mercado é o mundo", observa Rita Figueiras. Mas isso, como atalha a professora de Ciências da Comunicação, não explica tudo. Rita Figueiras sublinha o facto de o New York Times ser, hoje, um dos poucos jornais norte-americanos que não está cativo da agenda de Trump. Isso explica que o NYT seja, muitas vezes, entendido como o verdadeiro adversário do presidente, "muito mais do que o Partido Democrata", até porque o candidato Joe Biden não galvaniza particularmente a população norte-americana. O que se passa é que com uma qualquer declaração de dois minutos Trump ocupa os media um dia inteiro.

O sociólogo Paulo Pedroso acredita que este cenário não se estenda facilmente à Europa. Reforçando a ideia de que o New York Times chama a si o papel dos antigos grandes partidos no debate político, Paulo Pedroso não acredita que a estejamos perto de encontrar no espaço europeu um jornal de referência que se assuma como líder da oposição. "O que é perturbador, na evolução norte-americana e, talvez, mais transportável", acrescenta Paulo Pedroso, "é a extrema polarização que o Trump consegue. A política americana passou, em pouco mais de uma década, de uma das menos polarizadas para uma das mais polarizadas do mundo. O mais preocupante é que essa polarização ataca o coração das próprias instituições americanas".

Os dois comentadores-residentes d'A Espantosa Realidade das Coisas recuam aos dias de um polémico off de António Costa na entrevista ao Expresso, tratando de perceber se o episódio significa um "não-assunto", um rabo de fora de uma negligência perigosa e inaceitável ou um abuso de confiança ( e, nesse caso, de quem). Afinal, é-lhes perguntado, estivemos face a 7 segundos politicamente reprováveis ou a um caso de polícia por quebra de regras que deveriam permanecer à prova de bala?

Rita Figueiras aborda ainda os números preocupantes, recentemente divulgados, da relação das redes sociais com a pandemia e com a verdade. Um facto concreto merece a reflexão da professora da Católica: voluntários treinados por ONG's reportaram casos de fake news relacionados com vacinas. Ora, o Facebook apenas removeu 6% das informações falsas identificadas.

Paulo Pedroso, recentemente convidado pela UGT a contribuir para o caderno reivindicativo da central sindical, partilha e explica as prioridades da sua proposta, nomeadamente no que se refere a entorses por si identificadas na legislação laboral. Outro ponto sobre o qual o sociólogo reflecte mais demoradamente é o que se prende com o modo como o salário médio se aproxima cada vez mais do salário mínimo.

A espantosa realidade da biblioteca de Pessoa

O programa termina com uma reportagem de Teresa Dias Mendes sobre a biblioteca particular de Fernando Pessoa, agora aberta ao público na renovada casa onde o poeta passou os últimos anos de vida, na rua Coelho da Rocha em Lisboa.

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