A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

António Fontaínhas Fernandes: "Podemos perder um país"

Foi sob a frondosa latada do restaurante Chaxoila, em Vila Real, que o jornalista Fernando Alves entrevistou pela primeira vez, já lá vão uns anos, António Fontaínhas Fernandes, o reitor da UTAD e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Ali se reencontram e conversam, agora que o professor catedrático de Bioquímica Ambiental se prepara para o fim de um ciclo. Natural de Guimarães, Fontainhas Fernandes conta que chegou a Vila Real para estudar na UTAD. "Quarenta anos depois, ainda cá estou".

O reitor faz um balanço dos trabalhos do campus desde o início da pandemia e defende que " o ensino tem de ser presencial". "O ensino a distância", acredita António Fontainhas Fernandes, "aumenta as desigualdades sociais".

Evoca, com emoção, os seus velhos professores. Sublinha o papel da Universidade no território a que tem dedicado mais de metade da sua vida : "Ela tem de ser o portal de entrada para o Douro". "Quem aqui chegar tem de saber perder-se e descobrir o Douro a partir de vários percursos. Não podemos olhar o Douro apenas como um percurso que se faz de barco, partindo do Porto até ao Pinhão, privilegiando um Douro do silêncio". "Infelizmente", observa o reitor da UTAD, "não sei se o futuro passará pelo caminho de ferro". A opção pelo comboio será decisiva, acredita Fontainhas Fernandes. "Será importante garantir que se possa descobrir o Douro também a partir do comboio. E a partir da Universidade, claro". Outra ideia do reitor da UTAD: "Há roteiros deste território que deveriam ser colocados em rede. Assim como, em Vila Real, podemos visitar a Biblioteca ou o Conservatório desenhados por Belém Lima, também podemos ir a São Martinho de Anta visitar o Espaço Miguel Torga desenhado por Souto Moura. E podemos ir ao Museu do Pão, em Favaios, no concelho de Alijó, ou à Régua ver o Museu do Douro, ou ao Museu de Foz Côa. Todos estes lugares deveriam estar unidos em rede."

Uma ideia forte do convidado da Rede Social: "Temos de nos perder para conhecermos. Só assim é que podemos conhecer as pessoas. Mas para isso é precisar fixar pessoas no território. É isso que muita gente ainda não percebeu. Estamos a perder população e podemos perder um país".

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