Acontece no Brasil

Todas as quintas-feiras, o correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina a crónica Acontece no Brasil – um país onde a realidade e o insólito andam muitas vezes de mãos dadas.

Levou o morto ao banco para fazer prova de vida

Senhora transportou companheiro de 92 anos, falecido há pelo menos 12 horas, a uma agência de Campinas para sacar a pensão. De mero assunto bancário, o episódio logo passou a curioso caso de polícia.

Ir a uma agência bancária, tirar senha, esperar atendimento, desesperar por ele - é uma atividade banal mas cansativa.

Mais ainda se o motivo da deslocação for fazer "a prova de vida" de um idoso, com dificuldades de locomoção.

No meio da onda de calor que se abateu no Brasil, com o stress acumulado por longos meses de pandemia, é mesmo preciso ter nervos de aço para aguentar.

Mas uma senhora, cujo nome não foi divulgado, estava mais nervosa, stressada, cansada, desesperada do que toda a gente na fila de um banco, da cidade de Campinas, na manhã do último dia 2 de outubro.

Até porque, segundo ela, o idoso, de 92 anos, que a acompanhava para fazer a prova de vida, estava a sentir-se mal.

E imediatamente, para surpresa dela, o banco disponibilizou uma dupla de bombeiros para cuidar do senhor.

É aí que a história, de banal, se torna insólita: os bombeiros constataram que o senhor estava morto.

Mas morrera ali, na espera desesperadora pelo atendimento? Não: segundo, os bombeiros o cadáver do nonagenário estava rígido - estaria morto há, no mínimo, 12 horas.

As intenções da senhora, que levou um morto ao banco para levantar o dinheiro da reforma dele, passaram logo de assunto bancário a caso de polícia.

Ela garante que era sua companheira mas que ele jamais lhe deu acesso às contas.

Ainda não há mais desenvolvimentos de um episódio com cara de filme cómico - ou trágico - de sessão da tarde.

O correspondente da TSF em São Paulo, João Almeida Moreira, assina todas as quintas-feiras a crónica Acontece no Brasil.

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