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Matar o general Soleimani foi "apagar o fogo com gasolina"

Pathé Duarte explica no Fórum TSF que a morte do general é insuficiente para pôr termo aos ataques terroristas e pode até tornar a "retaliação mais forte".

O especialista em relações internacionais Felipe Pathé Duarte considera que a morte do general Soleimani no ataque norte-americano em Bagdade, esta sexta-feira, foi como "apagar o fogo com gasolina". Pathé Duarte explica no Fórum TSF desta segunda-feira que a morte do general é insuficiente para pôr termo aos ataques terroristas e pode até tornar a "retaliação mais forte".

"Soleimani era alguém que procurava a expansão da soberania do Irão por todo o Médio Oriente - e não só - através de ações irregulares. Era alguém que na sombra desencadeava este tipo de operações com uma rede vastíssima de controlo de vários movimentos, uns terroristas, outros não tão terroristas. A morte de Soleimani vem decapitar esta estrutura, mas ao fazê-lo não vem necessariamente pôr em causa a sua capacidade de ação, porque as redes que estão montadas são redes transnacionais, com estruturas próprias", começa por dizer o especialista em entrevista ao jornalista Manuel Acácio. Pathé Duarte vai mais longe e sublinha que "esta morte vem galvanizar estas estruturas a continuar a agir".

"Isto é uma lógica quase de rei morto rei posto. Os ataques vão continuar e possivelmente a retaliação será mais forte", adianta.

Também no Fórum TSF, o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais Carlos Gaspar acredita que "o mundo é um sítio menos inseguro depois do assassinato do comandante Soleimani" e explica que a pressão contra o Irão tem vindo a aumentar desde que Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo nuclear com o Irão.

"O primeiro passo que deu esta nova administração foi retirar os Estados Unidos dos acordos que limitavam o programa nuclear militar do Irão, que foi destruído por este ato de assassinato do comandante Soleimani, a seguir a consolidação da aliança com a Arábia Saudita e com Israel, o reconhecimento da capital de Jerusalém como a capital de Israel, as sanções contra o Irão, contra a vontade dos aliados europeus que subscreviam os acordos com o Irão. Há uma linha constante de pressão máxima contra o Irão", adianta.

No mesmo plano, o especialista em geoestratégia Álvaro Vasconcelos teme que o aumento da tensão no Médio Oriente se encaminhe para uma guerra entre os EUA e o Irão: "Seria uma guerra numa zona vital do mundo que ainda é, do ponto de vista do petróleo, essencial ao funcionamento da maior parte das indústrias dos países ocidentais e do mundo inteiro. Uma guerra nessa região tem sempre repercussões na Europa, porque uma guerra dos EUA contra o Irão aumenta o radicalismo, aumenta os extremismo e, sobretudo, quando Trump declara que o património cultural do Irão é um alvo possível nós devemos temer tudo, porque é o património cultural da humanidade no seu todo que fica em perigo."

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