Números Redondos

João Nuno Coelho e João Ricardo Pateiro trazem-nos, todas as sextas-feiras, os números, tendências, marcas, nomes e perspetivas para o fim de semana de futebol.
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À sexta-feira, às 17h35.

Dilema Clássico

Em três das quatro vezes que FC Porto e Sporting se defrontaram para o campeonato com os atuais treinadores, o resultado final foi o empate. Neste clássico do Dragão, a diferença pontual entre os rivais pode criar dilemas a Sérgio Conceição e Rúben Amorim sobre a melhor forma de abordar o jogo, entre a vontade de ganhar e o receio de perder.

Porto atrás de um recorde que pode valer um título

Se o Porto vencer o Sporting, Sérgio Conceição torna-se o treinador com mais vitórias consecutivas na história do FC Porto numa edição da Liga portuguesa (17), ultrapassando André Villas-Boas (em 2010/11).

Mas para o Porto essa vitória significaria muito mais do que um recorde, uma vez que aumentaria a diferença sobre o segundo classificado para 9 pontos (e com vantagem no confronto direto), o que seria um passo quase decisivo na busca pela reconquista do cetro nacional.

Curiosamente, as duas equipas voltam a defrontar-se no Dragão no mês de fevereiro, tal como na época passada: na altura à jornada 23, agora na ronda 22. E a situação classificativa é praticamente a inversa - na liga transata, os leões tinham 10 pontos de avanço e o empate obtido foi então considerado como quase decisivo na luta pelo título.

Apesar disso, o Sporting ainda vacilou mais à frente, quando à jornada 28 empatou em casa com a Belenenses SAD, ficando apenas com 4 pontos de vantagem para o Porto e com uma deslocação a Braga na ronda seguinte, sendo que ainda lhe faltava jogar no Estádio da Luz.

Este é um facto que poderá ser importante ter em conta se o Porto vencer o jogo desta sexta-feira: mesmo com 9 pontos de avanço o campeonato não ficará automaticamente decidido, até porque os portistas ainda terão que se deslocar, por exemplo, à Luz, a Braga e a Guimarães.

Não faltarão adeptos azuis e brancos a pensarem que um empate no clássico do Dragão seria um resultado interessante, e que Sérgio Conceição bem podia optar por uma estratégia conservadora para esta partida. Mas ninguém acredita realmente nisso, muito por força do estilo muito agressivo, em termos competitivos, do técnico portista.

Recorde-se ainda que se não perder em casa com o Sporting, a equipa de Conceição chegará ainda ao incrível número de 50 jogos invicto no campeonato (menos 5 do que o melhor registo na história do clube - de Jesualdo, André Villas-Boas e Vítor Pereira, entre 2010 e 2012 e a 6 do recorde de John Mortimore no Benfica de 1976 e 1978).

Sporting moralizado, mesmo com a história contra si

A conquista recente de mais um troféu, a Taça da Liga - o quarto do consulado de Rúben Amorim - reforçou a confiança do Sporting, após duas derrotas quase seguidas no campeonato, nos Açores e em casa com o Braga, que há 5 jornadas estava igualado com o Porto no comando do campeonato.

Além do troféu ganho, o Sporting continua em todas as frentes, tendo ainda conseguido dois excelentes reforços no mercado de inverno (Slimani e Marcus Edwards), sem perderem qualquer titular.

A grande questão é se Amorim mudará a sua habitual postura calculista no jogo do Dragão ou se decidirá correr mais riscos do que o costume para ganhar no reduto do grande rival. É que se o empate não fecha as portas do título, uma derrota pode praticamente fazê-lo.

Além disso, diz a história que em jogos do campeonato tem sido muito raro os leões surpreenderem os dragões no seu terreno: nos últimos 45 anos, só por 3 vezes tal aconteceu, praticamente de dez em dez anos: 1996/97, 2006/07 e 2015/16.

Para os sportinguistas, no entanto, a fé em Amorim é enorme, até porque além dos troféus conquistados, tem sido dos poucos treinadores a conseguir vantagem nos confrontos diretos com Sérgio Conceição desde que este comanda o Porto.

Em 7 confrontos, Amorim apenas perdeu um: no Dragão, no final da sua primeira temporada no Sporting, tendo obtido 3 triunfos (2 no Braga e 1 no Sporting) e ainda 3 empates nos duelos com Conceição. E em jogos de "mata-mata" (competições a eliminar) Amorim saiu sempre por cima (2 vezes).

Como pode o dragão ferir o leão?

O Porto tem como principais armas a competitividade e a intensidade, que lhe permitem ser o segundo melhor ataque (55 golos marcados, apenas menos 1 do que o Benfica) e a segunda melhor defesa do campeonato (14 golos sofridos, apenas mais um do que o Sporting) - o que resulta na melhor diferença entre golos marcados e sofridos da prova (41). Por exemplo, o Sporting tem uma diferença de 28...

Neste sentido, o Porto é também a equipa mais equilibrada, assumindo-se claramente como aquela que melhor e mais alto pressiona a posse de bola adversária, daí resultando uma enorme quantidade de lances de perigo nas balizas contrárias e de golos: o Porto marcou até ao momento no campeonato 19 golos na sequência de recuperações no segundo e terceiro terço, contra apenas 4 do Sporting. Ou seja, os portistas são a equipa portuguesa que recupera mais bolas em zonas subidas, protegendo assim a sua defesa e ao mesmo tempo tornando os seus ataques mais perigosos e letais.

Desta forma, também não surpreende que o Porto marque a maior parte dos seus golos de bola corrida a partir de lances originados no corredor central, 23, contra 14 do Sporting, e que Uribe, Vitinha e Otávio estejam entre os principais recuperadores de bola da liga (sem contar defesas), com números bem superiores aos de Palhinha, Matheus Nunes e Nuno Santos. E mais importante do que isso, o meio-campo azul e branco recupera a bola em zonas bem mais adiantados do que o dos leões.

É nesta pressão alta e na qualidade com bola dos elementos do Porto acima referidos (a que se junta ainda Fábio Vieira), que pode estar a diferença no jogo do Dragão, com os portistas a quererem tomar claramente conta do meio-campo, algo para que Amorim estará, com certeza, avisado.

Para Conceição, a principal preocupação passará por uma eventual limitação de variabilidade ofensiva - que tanto gosta de conferir ao jogo da sua equipa -, em grande parte devido à partida de Luiz Díaz, o mais decisivo jogador da liga e que tão bem lhe permitia explorar a profundidade. Daí que possa optar pelo reforço Galeno, cujas características são mais parecidas com as de Díaz do que com as de Pepê.

Como pode o leão ferir o dragão?

Ao contrário do Porto, a equipa de Amorim ataca muito mais a partir dos flancos. É o conjunto do campeonato com mais cruzamentos (segundo os dados oficiais da Liga Portugal), com quase 16 em média por jogo, contra 12,3 do Porto (apenas sexta marca da competição).

Simultaneamente, os leões defendem mais atrás, como já vimos, marcando a esmagadora maioria dos seus golos de bola corrida a partir de saídas de trás ou de recuperações baixas, quase sempre explorando os flancos, devido à grande projeção ofensiva dos laterais no seu sistema (3x4x3).

Assim, não surpreende que a ausência de Pedro Porro seja vista como muito importante por todos os observadores, já que o seu provável substituto, Ricardo Esgaio, é bem mais limitado ofensivamente.

Importante também é perceber que o Sporting tem marcado mais em ataque organizado do que em ataque rápido no presente campeonato: em 30 golos de bola corrida, 20 em ataque organizado contra 10 em ataque rápido/contra-ataque. Acontece exatamente o oposto com o Porto, em resultado da sua capacidade de pressão alta: 20 golos obtidos na sequência de ataques organizados contra 21 em ataque rápido/contra-ataque.

Da maior eficácia do Porto aos destaques individuais na antevisão do clássico

Segundo os dados observados e analisados pelo Números Redondos, em termos goleadores o Sporting da presente liga perdeu uma parte importante da sua eficácia, relativamente à época passada. Os leões até estão a criar mais ocasiões de golo no presente campeonato - cerca de 6 por encontro contra pouco mais de 5 na liga passada -, mas têm menos golos marcados após 21 jornadas (42 em 2020/21 contra 41 em 2021/22). Ou seja, passou de mais de 40% para 33% de aproveitamento das ocasiões de golo.

Esta perda de eficácia tem um nome próprio: Pedro Gonçalves. Os leões estão a sentir muito a falta dos golos de Pote, que tem somente 6 golos apontados à 21ª jornada - na época passada já contava com 14 - e a sua taxa de aproveitamento das oportunidades de golo passou de quase 50% para cerca de 25%.

Já o Porto mantém sensivelmente o mesmo registo de oportunidades de golo na liga (perto das 7 em média por jogo), relativamente à temporada passada. Mas o

aproveitamento melhorou claramente: 45 golos marcados à jornada 21 do campeonato passado contra 55 no presente. Também aqui há um nome associado a esta tendência, mas infelizmente para os portistas já não faz parte do plantel: Luis Díaz.

Note-se que Díaz era o melhor marcador da equipa na liga: 14 golos (segundo melhor marcador do campeonato) em 18 jogos realizados, conseguindo uma média de quase 50% de aproveitamento das oportunidades de que desfrutou.

Ora sabendo que Díaz e Pote não jogarão nesta sexta-feira, abre-se caminho para outros protagonistas e potenciais heróis do clássico. E nesse particular faz sentido perceber quais são os outros elementos mais decisivos dos dois conjuntos.

No Porto, o iraniano Taremi é agora o jogador que tem mais participações decisivas em golo. É ainda o terceiro melhor marcador do campeonato, com 11 golos, a que soma 7 assistências e ainda o envolvimento em outras 6 jogadas que acabaram em golo (incluindo 1 penalti conquistado). Isto corresponde à participação direta em 24 dos 55 golos do Porto no campeonato.

Igualmente decisivos têm sido Otávio (11 assistências, 3 golos e envolvimento em mais 8 jogadas de golo), Fábio Vieira (10 assistências, 1 golo e envolvimento em mais 4 jogadas de golo) e Evanilson (7 golos, 3 assistências e envolvimento em mais 4 jogadas de golo).

Do lado do Sporting, destaque para Pablo Sarabia, o mais influente do plantel no campeonato: já marcou 6 golos, realizou 6 assistências e teve papel preponderante em mais 6 jogadas de golo.

Logo depois, surgem Paulinho (8 golos, 3 assistências e envolvimento em mais 4 jogadas de golo e Nuno Santos (4 golos, 5 assistências e envolvimento em mais 5 jogadas de golo).

Pode acompanhar a emissão especial da TSF para este FC Porto-Sporting a partir das 19h30 desta sexta-feira, na antena da TSF e aqui, em tsf.pt.

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