Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Um sótão não é um bunker

Robert F. Kennedy Jr, sobrinho de John Kennedy, lidera uma associação anti-vacinas. Essa circunstância dá-lhe almofada para o dislate sem freio. Mas não lhe dá imunidade contra o ricochete da sua própria ignorância. Se levasse à risca algumas das ideias dos discursos do tio, talvez se tivesse deitado a ponderar sobre o modo como a nossa ignorância fica tanto mais evidente quanto mais aumenta o nosso conhecimento.

Este domingo, numa acesa intervenção anti-vacinas, Robert Kennedy Jr afirmou que a vida das pessoas é actualmente pior do que foi a vida de Anne Frank porque "mesmo na Alemanha de Hitler era permitido cruzar os Alpes até à Suíça e era permitido escondermo-nos num sótão".

E. assim lançado, sem freio, considerou que Anthony Fauci, o especialista em doenças infecciosas e conselheiro da Casa Branca, anda a orquestrar o fascismo.

Ontem, o sobrinho de Kennedy veio pedir desculpas pelas desprezíveis alusões ao Holocausto, reveladoras de uma má fé que se alimenta, em grande medida, também, da ignorância histórica.

John Kennedy, o tio presidente assassinado em Dallas, aconselhou, certa vez, os norte-americanos a que não perguntassem o que pode o seu país fazer por eles mas a perguntarem-se o que pode, cada um deles, fazer pelo seu país. O sobrinho e filho de Kennedys assassinados por defenderem a liberdade não pode grande coisa

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