TSF Pais e Filhos

Como a intuição não chega e eles não nascem com livro de instruções, a TSF propõe um programa para partilhar ideias, conselhos de quem sabe (desde os conselhos técnicos de pediatras e psicólogos, aos conselhos de pais), propostas de lazer, de brincadeiras, de passeios e reportagem. Sem nunca deixar de responder às dúvidas dos pais, vamos também ouvir os filhos. Com coordenação de Rita Costa.
De segunda a sexta, às 08h40, com repetição às 16h40. Edição alargada à terça-feira, às 18h45.

A escola, a Covid-19 e outras doenças infecciosas

Um mês e meio depois do arranque do ano letivo, fazemos um primeiro balanço, avaliamos a importância das vacinas e pensamos no futuro da saúde escolar tendo em conta outras doenças infecciosas.

Graça Freitas reconhece que a não vacinação dos menores de 12 anos é uma vulnerabilidade

Com 86% das crianças e jovens dos 12 aos 17 anos já com as duas doses da vacina contra a Covid-19, o ano letivo tem decorrido com tranquilidade e a maior parte dos casos tem surgido no pré-escolar e no primeiro ciclo onde as crianças ainda não foram vacinadas. "Está tudo a correr de acordo com o previsto, obviamente com casos e obviamente com surtos. Primeiro porque não estão vacinadas todas as crianças entre os 12 e os 17 anos, algumas estão por vacinar sobretudo aquelas que estão à espera de recuperar da Covid-19, mas essas têm alguma imunidade, e outras optaram pela não vacinação, de qualquer maneira esse grupo está muitos bem, mas abaixo dos 12 anos os meninos não estão vacinados e por isso temos essa vulnerabilidade acrescida", afirma a diretora geral de saúde.

Apesar da vacinação abaixo dos 12 anos ainda não ter avançado, Graça Freitas acredita que não há motivo para grande preocupação. "O facto de termos vacinado os adultos e da transmissão comunitária ser inferior ao que seria sem as elevadas taxas de vacinação que nós temos, evidentemente também protegem indiretamente as crianças mais pequenas ", lembra.

Até ao dia 25 de outubro foram registados 135 surtos nas escolas a partir do 2º ciclo e nesses 135 surtos, 793 casos acumulados. Casos ligeiros, sublinha a diretora geral da saúde e o vice-presidente da Associação Nacional dos Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas públicas admite que é no pré-escolar e no primeiro ciclo que têm surgido mais casos.

A vacinação deste grupo está, no entanto, dependente dos resultados dos ensaios clínicos. "Todos estes ensaios estão a ser muito bem observados, ou seja, não há pressa porque é um grupo que apesar de poder adoecer não costuma ter doença grave e, portanto, a Agência Europeia do Medicamento está analisar estes ensaios para crianças mais pequenas com todos os procedimentos habituais. Vamos aguardar e se a Agência Europeia autorizar nós vamos, obviamente depois de ouvirmos os nossos peritos da comissão técnica de vacinação para a Covid, vacinar também este grupo", adianta Graça Freitas.

A que outras doenças infecciosas devemos estar atentos?

O pediatra Hugo Rodrigues lembra que com o regresso dos contactos é natural que algumas infeções "banais" regressem. Isso já está a verificar-se no pré-escolar e no primeiro ciclo e o pediatra sublinha que nem tudo é negativo. " O contacto com microrganismos pode ser positivo particularmente nos bebés nas crianças pequenas porque ajuda a estimular corretamente o sistema imunitário e a prepará-lo, a torná-lo mais competente para quando contactar com um microrganismo mais agressivo , portanto essas situações que estamos a ter este ano acabam por ser, apesar do incómodo para as famílias, benéficas", explica o pediatra.

O que acontece é que no meio das infeções pode haver algumas mais graves, mas que podem ser prevenidas pela vacinação. Hugo Rodrigues dá o exemplo do rotavírus e da meningite bacteriana. No ano passado, este tipo de meningite praticamente desapareceu, "mas agora com a proximidade física entre as pessoas, adolescentes e adultos jovens que são particularmente transmissores desta bactéria, vamos começar a ter outra vez casos". Por isso, a grande recomendação do pediatra é para que se cumpra integralmente o plano nacional de vacinação e se sigam também as recomendações para outras vacinas extra-plano.

"Esta pandemia veio reforçar a importância das vacinas na evolução natural das doenças", defende o pediatra. "Portanto, vamos continuar a vacinar ", acrescenta Graça Freitas que lembra o pesadelo que era para os pais que se depararam com situações de meningite bacteriana ou de sépsis em crianças completamente saudáveis antes das vacinas existirem.

Da parte dos pais, Jorge Ascensão, presidente da Confederação das Associações de Pais acredita que só muito poucos os negacionistas das vacinas. "Negacionistas existem alguns, mas são uma minoria é preciso que as pessoas percebam que a liberdade numa convivência em sociedade tem que ser global não pode ser só a liberdade de cada um", afirma Jorge Ascensão que sublinha o esforço da escola para receber todas as crianças vacinadas e não vacinadas e para sensibilizar para a necessidade de pelo menos ser cumprido o plano nacional de vacinação.

Há vida além da Covid-19, mas "a pandemia ainda não acabou"

"Damos por nós a dizer no tempo da pandemia, quando foi a pandemia... não! A pandemia está cá., está é com outra dinâmica. Portanto, vamos ter depois um momento de reflexão, de perceber o que é que nos aconteceu de facto, daquilo que aprendemos, daquilo que vamos ter que mudar e vamos ter que mudar muita coisa mesmo que nós não queiramos porque para trás não se anda. A sociedade é assim. Houve este acontecimento nas nossas vidas e nós vamos evoluir e vamos evoluir para melhor", acredita a diretora geral da saúde.

O que os pais precisam, revela Jorge Ascensão é de informação. "Temos consciência de que não estamos livres de risco, agora precisamos de estar tranquilos e ser tranquilizados por quem sabe desta matéria", afirma o presidente da Confederação das Associações de Pais.

Da parte das escolas, assegura David Sousa há empenho em continuar a apostar na literacia em saúde sendo necessário manter e aprofundar a cooperação entre escolas, autarquias e autoridades de saúde "no sentido de se conseguir promover hábitos da promoção da saúde dentro da escola porque é aqui que se começa a ganhar a batalha".

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