Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"A minha reputação ficou danificada." Dezoito anos depois, Paulo Pedroso fala sobre processo Casa Pia

Pela primeira vez, depois de deixar a militância no PS, Paulo Pedroso reconhece as tentações de voltar à política ativa, mas explica a decisão mais radical : "na política, a reputação é um bem maior", que assume ter perdido no processo Casa Pia.

No programa da TSF, Uma Questão de ADN, Paulo Pedroso, antigo dirigente nacional do PS e membro dos governos de António Guterres, explica que a saída do partido é consequência de um distanciamento progressivo. Admite ainda que houve uma conversa com António Costa, (notícia avançada pelo Público depois de se saber que tinha deixado de ser militante do PS, antes mesmo das eleições legislativas de Outubro) mas deixa um recado ao Primeiro-Ministro "as conversas privadas, não se divulgam, são privadas."

"Virei a página da política, é verdade", admite Paulo Pedroso, que fala num "afastamento progressivo" do partido.

"[A vida política] não é muito diferente do ciclo das paixões e do amor", compara o agora professor e investigador do ISCTE. "Há um momento de entrega total, há um momento de convivência em que vamos conhecendo os defeitos uns dos outros, e depois há um momento em que percebemos que chegou a altura de ir fazer outra coisa", defende.

Embora reconheça que, durante a sua história no PS, sempre esteve um pouco "desalinhado", Paulo Pedroso confessa que foi quando o seu nome ficou associado ao escândalo de abusos sexuais do processo Casa Pia que a sua vida política que a sua vida política ficou condicionada.

"Um político vive da sua reputação e eu tenho, há muito tempo, a consciência plena de que esse bem reputacional foi danificado de modo irreversível", assume Paulo Pedroso. "Não tenho, há muito tempo, nenhuma ilusão sobre essa matéria. E foi isso que me levou a virar a página."

No entanto, o antigo dirigente socialista afasta a hipótese de que alguma vez tenha sido visto como um elemento "tóxico" no seio do partido. "Sinceramente, não sinto, nunca senti, nem acho que nunca ninguém no PS me tenha querido fazer sentir que era um ativo tóxico. O que acho é que o processo Casa Pia foi traumático para todas as pessoas que estiveram envolvidas", explica. "Eu, pessoalmente, fiquei, danificado. e continuo a ter ciclos depressivos", 18 anos depois.

Ouça na íntegra a entrevista a Paulo Pedroso e à filha Beatriz Pedroso no programa "Uma Questão de ADN", de Teresa Dias Mendes, esta quinta-feira, depois das 19h, na TSF

Outras Notícias (desktop)

Patrocinado

Apoio de

Outros Conteúdos GMG (desktop)

Patrocinado

Apoio de