Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"Adorava ser um drone." Rita Carmo e Rafael Carmo Afonso em Uma Questão de ADN

"Um olho no céu", exclama Rafael assim que a mãe confessa que gostava de ser um drone para fotografar lá do alto. Hoje em dia os pássaros voadores já não são aves raras para o mundo da fotografia, mas o desejo de Rita Carmo é poder estar ela a ver o mundo lá de cima, com olho de águia, disparando a máquina ao sabor das notas dos festivais de verão, ou caçando cenários que imagina para novas composições de artistas em modo de voo, que é como quem diz, promovendo novas músicas e sons, que é essa também a arte de Rita Carmo.

Nome de referência na fotografia da cena musical, é ao lado do filho mais velho, Rafael Carmo Afonso, que hoje lhe tiramos o retrato. Sem filtros.

De Marco Paulo a Madonna, de Carlos Paredes aos U2, de Simone a Capicua.

A banda sonora podia não ter fim, e o nome de Capicua - Ana Matos Fernandes - até vem à baila porque a idade toma assento à mesa do estúdio. Estávamos ainda nas primeiras notas da conversa e, ao referir os 25 anos de Rafael, a mãe sublinha ter 52. Com a idade do filho, Rita Carmo já andava de máquina pendurada ao pescoço
e já sabia que era esta a sua cena. Já lhe tinha tomado o gosto, enquanto terminava o curso de design da comunicação no IADE e começava a fotografar para o Blitz, ainda jornal naquela altura. Passaram 30 anos e o olhar de Rita Carmo mantém o mesmo entusiasmo.

"Não há monotonia", mesmo quando são os mesmos artistas, uma e outra, e outra vez. Composições para capas de álbuns, ou para promoção de músicos e de bandas, concertos, festivais, bandas sonoras - nome de uma das suas exposições -, livros publicados - Altas Luzes, em 2003 e Imagens de Sons Portugueses em 2008 -, e recentemente para a Kiosk Zine, o projecto Pormenores com a Mínima Importância, onde revela detalhes do palco que o público não consegue avistar: "Dentes que caem, nódoas negras, gestos ou simples objectos na roupa ou nos instrumentos", que fotografa no fosso junto ao palco, que é o seu lugar de eleição nas noites de concertos.

Com os festivais à porta deste verão, Rita Carmo já tem a mala feita. "Levo pouca coisa para além dos 11 quilos de equipamento, e a roupa é sempre a mesma, para estragar."

Tampões para os ouvidos são fundamentais e o olho sempre vivo, espreitando para dentro da máquina, onde tudo lhe acontece: "Só não sei se ainda tenho pernas, depois de dois anos de paragem."

A miúda que queria ser pintora e jornalista, é também professora, casada e mãe de dois filhos, Alice e Rafael. Será o futuro argumentista, que acaba de conseguir, com a sua equipa da UkBar, apoio para uma nova série dedicada à Marquesa de Alorna, a revelar-nos também o grão das imagens que fazem brilhar as fotos de Rita Carmo.

Talvez se cruzem, como noutros anos, num ou noutro festival, nem que seja depois das luzes se apagarem, enquanto não chega a hora da próxima viagem em família, ou a hora do jantar, já que a mãe também parece ser uma revelação na cozinha.

Uma Questão de ADN é um programa de Teresa Dias Mendes, com cuidado técnico de João Félix Pereira

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