Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Bê e Léo, a historia dos gémeos campeões do mundo por Portugal

O bisavô Manuel, a avó Maria e a seleção de futebol de praia de Portugal. Bernardo e Leonardo Martins, os dois gémeos luso-brasileiros que chegaram ao topo do mundo com a bandeira de Portugal.

"Portugáal, Portugáal ", era neste português meio cantado, que ouviam a avó paterna falar desse outro país, onde tinha nascido, o bisavô Manuel. E era isto que conheciam. Isto, e o sabor do bacalhau, que a avó cozinhava, lá no Brasil.

Estavam, os pequenos gémeos, longe de imaginarem que Portugal seria a casa deles. Vivem na Povoa de Varzim, jogam futebol de praia no Sporting de Braga. São campeões nacionais e europeus pelo clube do Minho, e campeões do mundo, pela selecção nacional. 2019 foi o melhor ano da carreira de Bernardo e Leonardo Martins.

Chegaram à selecção nacional em 2014. O primeiro a ser convocado foi Bernardo, que é o mais velho dos gémeos, dois minutos mais velho, depois também Leonardo foi chamado a integrar a equipa. Já tinham passado pela Rússia, por Itália. Já tinham tentado o futebol onze em Espanha, mas foi num regresso forçado ao Brasil, que acabaram por experimentar e ensaiar o futuro como jogadores de futebol de praia. Deu certo, como se diz lá no Brasil e hoje, com 30 anos, eles esperam mais uma década de sucesso nos campos de areia. Madjer, o capitão que se retirou neste ultimo Mundial, é uma referência, e recordam que foi para ele, que decoraram em três dias, o hino de Portugal.

Tinha começado o estágio, Madjer estava ausente e não lhes deram hipótese, "quando o capitão chegar, o hino tem de estar na ponta da língua". Meio partida, meio missão, eles andaram de auscultadores nos ouvidos, para todo o lado e ao terceiro dia, lá cantaram A Portuguesa, a plenos pulmões. "Custou a entrar o princípio da letra", confessam agora entre risos, mas adoram a sequência final do hino português "às armas, às armas... quando entrava no às armas, a gente já pulava".

Bernardo joga na posição de Ala, "o que arma mais o jogo", Leonardo é pivot "o que finaliza, que marca golo". Ter o controlo da bola na areia, é o primeiro passe para se ser um bom jogador de futebol de praia, porque "não é fácil correr com a bola nos pés na areia". É preciso arte para saber tocar o momento em que a bola sobe "no montinho" para chutar.

Bernardo e Leonardo Martins gostam de bacalhau à Brás, de francesinhas, arroz de pato..."mas é difícil escolher um", gostam do clima e de viver perto do mar.

Só não mergulham, mesmo podendo, "a água é muito fria". Quando chegaram ao país, estranharam duas palavras - "fixe" e "giro". "As miúdas viravam e diziam, 'tu és giro', e a gente perguntava um para o outro, o que é que é giro?"

Uma questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonoplastia de Jorge Silva, passa esta quinta-feira, depois das 19h00. Repete à 01h00 da madrugada e domingo, a seguir às 14h00.

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