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"O carioca é um português à solta", a frase é largada entre um sorriso e meia gargalhada, e Kátia Barbosa, a chef brasileira, que deu fama ao bolinho de feijoada, é sem dúvida, um bom exemplo . Ela é carioca e é solta. É chef, mas só quer ser cozinheira. É a cara do Aconchego carioca, o famoso botequim do Rio de Janeiro que já é património da cidade. Bianca, a filha, descobriu que também tem mão para a cozinha. Formada em jornalismo, acabou por estudar gastronomia e juntar-se à mãe no negócio da família. Não é por acaso que se diz que servem comida com afecto. É preciso ir atrás do tempo para chegar aos sabores das memórias. Sem elas, não havia aconchego, pelo menos, igual a este.
Kátia Barbosa ora estava à porta da cozinha, onde a mãe não deixava entrar nenhum dos 9 filhos, sempre que cozinhava, ora estava na cozinha, com o pai, ajudando a fazer os cuscus e as cocadas que depois iam vender nas portas dos cinemas, nos subúrbios do Rio de Janeiro.
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"Minha mãe não deixava entrar, com medo que a gente se machucasse, aí meu pai entrava e era uma festa. A gente ajudava a ralar o coco para os docinhos e eu adorava andar com meu pai nas feiras, procurando os produtos nordestinos ". Ainda hoje, Kátia Barbosa confessa que um dos seus programas preferidos é ir às feiras e aos supermercados," eu vejo tudo, sei os preços de tudo e só depois compro". Quando o pai faleceu, largou a cozinha. Vivia de fazer arroz de saquinho e macarrão instantâneo. Nasceu Bianca e percebeu que tinha de voltar a cozinhar. Mas só 2 anos depois, com a economia brasileira a virar-lhe a vida do avesso, se convenceu a deitar uma mão no botequim que era do irmão e da cunhada. AÍ sim, voltou a pesquisar e a apurar os sabores. Já lá vão quase 18 anos.
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O segundo casamento deu tempero . O marido " ama" cozinhar. Abriam uma garrafa de vinho e ficavam entre a mesa e o fogão. Bianca conta que serviam o almoço lá para as 6 da tarde. E que todo o fim de semana tinha bacalhau à Zé do Pipo. Bianca Barbosa formou-se em Jornalismo, " não tem saudades" mas diz que a formação a ajuda nas pesquisas. Mais tarde estudou gastronomia e hoje prepara se para abrir o seu próprio botequim, o " Manda", onde vai servir sandwiches. O conceito é o mesmo, comida brasileira para poder pegar e levar. Comida para acompanhar a cervejinha ou a caipirinha. É o jeito carioca de comer em pé e de jogar conversa fora. O botequim é quase uma instituição.
No Aconchego, é só mesmo comida tradicional brasileira , "a grande brincadeira da gente, é transformar pratos de comida tradicional em bolinhos".
A chef Kátia Barbosa,é a autora do famoso bolinho de feijoada, é feijoada dentro de um pastel enroladinho. Ela conta como apurou a receita. Como quer ser reconhecida pelo sabor único e singular do bolinho. Deste, e de outros: feijão branco com rabada, aipim com bóbó de camarão.e música para acompanhar. Tem de ter música na cozinha, " a música me faz feliz, e se a gente não está bem, não sai bem".
Agora, no bairro do Avillez, no Chiado, em Lisboa, elas tambem ajudaram a escolher o tempero das palavras e o sabor das músicas que acompanham o Aconchego Carioca. Até 14 de Março.
