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Cada um de nós tem um papel. Isabel Jonet acredita que sim. E que tem a sorte de poder fazer coisas. Habituada pelo exemplo da família, a fazer voluntariado desde miúda, não podia adivinhar que seria essa a sua missão de vida. 25 anos depois de ter entrado para o Banco Alimentar, não se imagina noutra vida. Nas campanhas, ela faz um turno, como todos os outros. E os outros são 40 a 42 mil voluntários. No dia-a-dia, a distribuição dos alimentos, 120 toneladas, é feita por 700 voluntários. E todos os dias, esta comida chega a 400 mil pessoas e 2600 instituições. Hoje, já não guia o empilhador, como fazia em 1993, quando se ofereceu para ajudar. Hoje é a Presidente da Federação dos Bancos Alimentares.
José Maria ainda não sabe o que vai fazer na vida. Tem vagar na decisão. Não corre à velocidade da mãe. Faz o mestrado em Engenharia e já se formou em Gestão Industrial. Entre uma e a outra coisa, viajou para o Japão, para um programa semelhante ao Erasmus. Sobravam três meses e foi para a Austrália, onde trabalhou nas obras, ilegal, "na verdade, nem trolha era, era assistente de trolha". Ganhou o dinheiro suficiente, para percorrer a Nova Zelândia e o Vietname. Gosta de ler, e confessa que tem uma pilha de livros sugeridos pela mãe, junto à mesa-de-cabeceira, " dá para uns anos".
Lá em casa, não há desperdício. Isabel Jonet assume que essa é a sua luta. Contra o desperdício de comida, de afecto, de amor, de tempo.
Também falamos de bifes, " é preciso voltar a falar de bifes", alertando para o consumismo mal parado que se volta a instalar nos hábitos dos portugueses, "porque todos os dias se encontra com pessoas que não têm o suficiente para comer".
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Uma Questão de ADN com Isabel Jonet e José Maria Jonet
Uma questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonorização de Pedro Simões Ribeiro
