Douro, uma região demarcada com grande legado histórico

Feito de história e de tradição, o alto Douro vinhateiro tem razões para se orgulhar da sua classificação como Património da Humanidade da UNESCO.

Os vinhos do Porto são produtos que marcam e fazem parte da história da região. Porque houve necessidade de criar a Região Demarcada do Douro?

A crise comercial de meados do século XVIII levou, por pressão dos grandes vinhateiros durienses, à instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.

No dia 10 de Setembro de 1756, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, fundou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Ao definir a zona de produção e regular a produção e venda do Vinho do Porto, criava a região demarcada e regulamentada mais antiga do mundo. A região foi delimitada com marcos em granito que definiam as fronteiras das zonas autorizadas para a produção do Vinho do Porto. Estes marcos são atualmente conhecidos pelos "marcos pombalinos". O Marquês de Pombal com a sua visão inovadora e perspicaz, foi o primeiro a esboçar os termos dos direitos de propriedade intelectual relativos a um território, plantando assim a semente do conceito de uma Denominação de Origem.

Mais do que unicamente abordar os interesses das partes implicadas na produção dos vinhos no Douro e exportá-los para fora da cidade do Porto, Marquês de Pombal definiu normas específicas para um comércio que era fundamental para a economia portuguesa, elevando um produto alimentar anteriormente apenas de interesse doméstico a um produto que se tornou mundialmente famoso. A criação da Companhia constituiu um marco histórico a nível mundial ao introduzir o conceito de uma denominação de origem apoiada por uma demarcação geográfica, bem como uma série de normas e regulamentos de definição das características qualitativas de um produto. O Douro Vinhateiro tornava-se assim a primeira Região do mundo demarcada e regulamentada.

E como se tornou Património Mundial?

Devido a sua história e natureza, o Douro está associado indelevelmente à cultura do vinho desde o princípio dos tempos. Com um clima muito próprio, um terreno que exige métodos árduos e únicos para trabalhar o solo, a magnífica paisagem do Douro nutre vinhos impossíveis de encontrar em qualquer outra região da Terra. O Vinho do Porto é a sua imagem de marca e indubitavelmente a maior marca global de Portugal. Perante nós encontra-se um território de produção, embora a maior parte deste terreno não constituísse sequer solo para cultivo. As montanhas rochosas de xisto foram fragmentadas para construir os socalcos, criando uma paisagem desenhada e esculpida pela força avassaladora da vontade, do engenho e do trabalho do Homem. Desta forma, o território adquiriu as características excecionais que o tornaram uma zona única para produção de vinho. Uma paisagem cultural evolutiva viva, dado que evoluiu em função do surgimento de novas tecnologias, mas também porque centra na atividade vitivinícola, saberes, técnicas, costumes, rituais e crenças das populações locais, ganhando assim, o Alto Douro Vinhateiro a classificação de Património da Humanidade da UNESCO em 2001.

Os vinhos do Porto são únicos no mundo tendo já um legado histórico de mais de 300 anos. O que os distingue e torna inigualáveis?

Tudo começa com a terra e os homens. As vinhas são plantadas e cuidadas até produzirem o fruto que dá origem a vinhos com as características específicas da região. Existe uma ligação umbilical entre vinho e território, uma relação não meramente física mas muito ligada à cultura e às pessoas.

Num mundo cada vez mais global, deparamo-nos constantemente com uma multiplicidade de descrições que nos apelam aos sentidos. Para que o nosso produto se destaque, é necessário realçarmos o que o torna único: todo o seu simbolismo, o emblema de prestígio, uma identidade que seja imediatamente reconhecida pelos consumidores. A denominação de origem Porto, o bilhete de identidade do Vinho do Porto, cumpre este desejo. O nome Porto é um símbolo de história e tradição de uma região em transformação em uníssono com a modernidade.

A denominação de origem Porto garante a natureza distinta e única do produto e da sua origem. A primeira característica atesta o facto de o produto se encontrar intimamente ligado ao território, enquanto a segunda é uma expressão das características específicas do produto, da qualidade que o torna famoso. Esta singularidade e distinção do Vinho do Porto torna-o um produto único, irremediavelmente ligado a uma situação geográfica. Esta singularidade inimitável e inseparável do seu território, transmite a exclusividade da denominação de origem.

A natureza distinta e única do produto, espelhada numa garantia de qualidade, reflete a imagem do território. É a associação entre o Homem, o seu saber fazer, o seu património cultural e a Natureza, que cria um produto com características típicas e únicas. A denominação de origem Porto é um símbolo que se destaca como indicador principal das características de um produto; é um instrumento que proporciona informação relativa à origem e às características associadas a uma comunidade específica.

Qual a diferença entre um Vinho do Porto da família Ruby e da família Tawny? Como devem ser consumidos?

Os Vinhos do Porto da família Ruby e da família Tawny distinguem-se pelo seu tipo de envelhecimento.

Os vinhos da família Ruby são vinhos em que se procura suster a evolução da sua cor tinta, mais ou menos intensa, e manter o aroma frutado e vigor dos vinhos jovens. Neste tipo de vinhos, por ordem crescente de qualidade, inserem-se as categorias Ruby, Reserva,

Late Bottled Vintage (LBV) e Vintage. Os vinhos das melhores categorias, principalmente o Vintage, e em menor grau o LBV, poderão ser guardados, pois envelhecem bem em garrafa.

Os vinhos da família Tawny são obtidos por lotação de vinhos de grau de maturação variável, conduzida através do envelhecimento em cascos ou tonéis. São vinhos em que a cor apresenta evolução, devendo integrar-se nas sub-classes de cor tinto-alourado, alourado ou alourado-claro. Os aromas lembram os frutos secos e a madeira; quanto mais velho é o vinho mais estas características se acentuam. As categorias existentes são: Tawny, Tawny Reserva, Tawny com Indicação de Idade (10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos) e Colheita. São vinhos de lotes de vários anos, exceto os Colheita, que se assemelham a um Tawny na Indicação de Idade e com o mesmo tempo de envelhecimento. Quando são engarrafados estão prontos para serem consumidos.

O Vinho do Porto deve ser consumido num copo adequado. Deve ser transparente, incolor e em forma de túlipa, de maneira a permitir que os aromas do vinho se concentrem e não sejam mascarados pelo álcool. Ficam criadas as condições para um bom exame sensorial ao vinho, antes e depois de o girar no copo. No início deste século, o eminente arquiteto português Álvaro Siza desenhou esse copo. Contudo, qualquer copo grande de um formato semelhante reúne as condições necessárias para uma degustação plena de um Vinho do Porto.

O Vinho do Porto também deve ser refrescado. Considerando que a temperatura de uma sala é normalmente mais elevada do que a temperatura indicada para o consumo de um Vinho do Porto, recomendamos que este seja servido 2ºC a 4ºC abaixo da temperatura indicada.

Por último, beber com responsabilidade, ou seja, com moderação, é a melhor forma de apreciar o vinho.

Cada vinho possui uma harmonização gastronómica específica. Qual a melhor harmonização gastronómica dos vinhos do Porto?

Apesar de ser muitas vezes consumido em ocasiões especiais, não há razão para fazer cerimónia ao beber Vinho do Porto. Deve beber-se sempre que houver vontade. Provar os sabores, os aromas e descobrir as muitas e diferentes formas de o desfrutar.

A diversidade de tipos de Vinho do Porto confere-lhe a singularidade de se adaptar a todos os momentos, tendo só como limite a imaginação. No entanto, indicam-se a título de recomendação alguns exemplos:

Aperitivos

Amêndoas torradas, azeitonas e canapés de salmão fumado. Para acompanhamento sugerimos um Porto Branco aromático, ou um Porto Rosé... frescos! Quem goste de inventar, pode até acrescentar água tónica ao Porto Branco, em proporções iguais, gelo, uma rodela de limão e uma folha de menta - Portonic. Com o Porto Branco pode-se usar a imaginação, existindo inúmeras possibilidades para criar cocktails com ingredientes como: o limão, a lima, o gengibre (e outras especiarias), melão, açúcar castanho, gelo, menta e água tónica.

O Porto Rosé também é o ponto de partida para cocktails surpreendentes. Servir com gelo esmagado e laranja (em rodelas ou em sumo), tangerinas, limas e menta.

O vinho do Porto, straight ou como cocktail, constitui uma escolha excelente para receber amigos em casa, como bebida de boas-vindas antes de uma fantástica refeição.

Entradas

Quando se deseja servir um queijo cabra envolto em massa folhada, uma entrada de salmão fumado (ou outro peixe gordo) ou um queijo cremoso, sugerimos o Porto Branco, seco ou extra-seco, como acompanhamento. O vinho tem a intensidade necessária para equilibrar o prato, o álcool atenuará a gordura do peixe ou do queijo. Os toques de mel, sementes de sésamo ou frutos secos no prato agirão com ponte aromática com o vinho. Ao servir um Porto Branco com aromas exuberantes, esta ponte pode ser criada com ervas aromáticas como endro, manjericão ou tomilho.

Uma combinação diferente, mas muito harmoniosa, é servir foie-gras com um Tawny 10 Anos velho ou um Porto Branco. As intensidades são semelhantes, os aromas casam e o vinho "limpa" o palato da pasta de fígado. Quando se deseja tornar este prato num prato ainda mais invulgar, pode-se querer adicionar cebolas salteadas ou caramelizadas em vinho do Porto.

Prato Principal

Normalmente não se serve vinho do Porto com o prato principal. No entanto, nada nos impede de o fazer. Por exemplo, numa ocasião muito especial, quando se quer servir o melhor vinho que se tem na cave com um prato gourmet de luxo idêntico como a Perdiz à Convento de Alcântara (recheada de foie-gras e trufas). Para que a refeição não se torne demasiado pesada, acompanhar as entradas com um vinho mais leve e depois servir a perdiz estufada com um Vintage de alguma idade, para que a sua elegância, insinuações de bosque e especiarias misturem com os aromas de caça, sempre complementados com a complexidade do paté e a singularidade da trufa.

Sobremesa

Este é o momento em que se serve muitas vezes vinho do Porto durante a refeição. A sua doçura não choca nem cria demasiado contraste quando é consumido com um doce, como seria o caso de um vinho seco. É um dos poucos vinhos que, dado o seu teor alcoólico, consegue "limpar" o palato após doces de ovos, chocolate ou queijo. De um ponto de vista do aroma, há sobremesas para Tawnies e sobremesas para Rubies.

Sobremesas para Tawnies

O Porto Tawny é mais adequado para combinações com aromas a especiarias (canela), caramelo e frutos secos. Das diversas sobremesas que se ajustam a esta descrição, podemos recomendar a tarte de amêndoa, o pudim flan, doces confecionados com laranja e doces de ovos. O vinho do Porto Branco Velho também deve ser incluído no grupo de vinhos do Porto que condizem com estas sobremesas.

Sobremesas para Rubies

Neste caso, o acasalamento aromático pende para os frutos vermelhos (morangos, cerejas, framboesas), frutos pretos (amoras, groselhas e mirtilo) e chocolate. Para que o contraste entre os dois não seja demasiado grande, os frutos devem ser apresentados em doce, geleia ou acompanhados por algo doce. Exemplos deste tipo de combinações harmoniosas são o cheesecake de frutos vermelhos e o fondant de chocolate. Apesar de muitos preferirem especialmente chocolate com um Porto Ruby e um queijo com um Porto Tawny, é importante notar que ambos os tipos de alimentos condizem com Tawnies velhos como o LBV e o Vintage, dependendo dos outros ingredientes do doce e, sobretudo, o gosto pessoal de cada um.

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